segunda-feira, 7 de setembro de 2009

7 de Setembro

Denominado feriado nacional, o dia de hoje é caracterizado pela comemoração da independência do Brasil relativa ao domínio português. A data oficial é baseada no evento que entrou para a história como sendo o manifesto publico do Príncipe Regente D. Pedro a favor da Independência do Brasil, neste dia D. Pedro teria, as margens do riacho Ipiranga (atual cidade de São Paulo), bradado perante a sua comitiva: Independência ou Morte! (http://pt.wikipedia.org/wiki/Independencia_do_Brasil). Os reais motivos da independência são frutos de intensos debates e controvérsias – uma vasta bibliografia pode ser encontrada na internet, mas um interessante livro sobre o assunto é A Independência do Brasil - (1808-1828).
Fato é que, com o passar dos anos, a população em sua maioria não atua com o pensamento voltado para o próprio país, não se tornou mais nacionalistas (o que é melhor que se achar o centro do mundo), nem percebe a riqueza nacional, nas suas mais diversas manifestações, em contraposição ao produto exterior. Uma analogia barata é a de uma criança que tem uma saco gigante de Cosme–e–Damião… ela simplesmente não sabe o que fazer com aquilo…
Acredito que as pessoas que tem acesso a toda essa diversidade, conhecimento e cultura tem o dever de incentivar tal pensamento nacionalista, senão teremos um manifesto Fora, povo! como o apresentado, brilhantemente, no conto satírico de Luis Fernando Veríssimo, do livro O mundo é bárbaro e o que nós temos a ver com isso. Essa opinião pró-nacionalismo não é um radicalismo, ou fundamentalismo contra as outras nações ou grupos mas uma valorização do próprio, em um mundo dicotomizado. Um discurso que sou particularmente fã, foi o realizado pelo ex-ministro Cristóvam Buarque, em Novembro de 2000 em uma Universidade estadunidense. Nela um jovem americano perguntou o que ele achava quanto à internacionalização da Amazônia, mas exigiu que a resposta fosse dada como humanista, não como brasileiro. Segue a resposta:

“De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma óptica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um País. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um País. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os atuais candidatos a presidência dos EUA tem defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de comer e de ir à escola. Internacionalizemos as Crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!"

A tríade

As três poesias que seguem foram escritas em épocas diferentes, mas tem como pano de fundo a mesma idéia: Criar versos estruturados sob as conjugações verbais.



Pilar
(ou: Como falar usando verbos da primeira conjugação)

Pensar e repensar,
criar, recitar,
sem bolhas a tampar,
flutuar, voar.
Aceitar sem contestar,
por você ao meu lado estar.
Cantar sem o medo de errar,
não se envergonhar
por não se importar,
alegria sem pesar.
Uma briga apartar
com um brilho no olhar
e um sorriso a estampar,
não por achar
mas de alma acreditar,
que, juntos, o amor,
iremos perpetuar.

Mai/03



Atitude
(ou: Como falar usando verbos da segunda conjugação)

Te ver
mas não te ter,
o meu querer,
faz-me crer
que se não correr,
vou morrer
sem saber
o que é, realmente,
viver!

Mai/03



Despedida
(ou: Como falar usando verbos da terceira conjugação)

Preciso ir,
mas me despedir
faz ruir
e partir,
depois de decidir,
sou eu a pedir
quendo para trás vir
olhar e sorrir,
sem mentir,
por sentir,
você consentir
e Deus permitir
que, de novo,
juntos iremos rir.

Mai/03

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Depois de um tempo

"Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, que companhia nem sempre significa segurança, e começa a aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas

Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança; aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo, e aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais, e descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida; aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida, e que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que eles mudam; percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos

Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influências sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve compará-los com os outros, mas com o melhor que podem ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde se está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que ou você controla seus atos, ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.

Descobre que algumas vezes a, pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se; aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou; aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha; aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens; poucas coisas são tão humilhantes... e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando se está com raiva se tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém; algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás, portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores, e você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.

Descobre que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."


Esse texto é uma tradução, com grande modificação, de um poema intitulado "After a while" escrito por Veronica Shoffstall, em 1971. No entanto é fácil encontrar na rede este mesmo texto (esta tradução modificada) com sua autoria creditada a William Shakespeare. Até onde consegui pesquisar esta tradução/modificação foi realizada por Camila de Lima. Uma discussão mais detalhada (incluindo o poema original) pode ser encontrada em um interessante blog que tem por objetivo revelar falsas autorias ou origens de textos, o link é:

http://www.autordesconhecido.blogger.com.br/2006_06_01_archive.html

Independente da discussão sobre créditos, análise de plágio etc. existe um vídeo com uma interpretação, do texto apresentado acima, realizada por Moacir Reis no TJSC em 23/11/01. O link para o vídeo no youtube é:

http://www.youtube.com/watch?v=PXH81sIeU8Q

Ademais, vale a reflexão das palavras...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Vogais (ou: O amor que a tudo supera tem realmente que ser o amor)

Longe de ser um poeta profissional eu já rabisquei algumas dezenas de poemas e poesias. Algumas são realmente situações que vivi, algumas são situações que conhecidos meus viveram e outras simplesmente são a poetização de situações que imaginei. Decidi começar a escrever aqui meus poemas (que um dia ainda transformo em livro sob o título de "Resquícios"), mais para "me livrar" deles do que para ser uma espécie de publicação.
Esse primeiro poema não foi meu primeiro a ser escrito (os primeiros já se foram há muito tempo, depois de uma desilusão... mas isso fica pra outra história), no entanto esse poema foi escolhido para participar de um livro, em um concurso realizado na UERJ, com direito a declamacao em publico (nem precisa falar da vergonha que senti né?). É sobre um desfecho de relacionamento, com uma escolha singular de letras (um pouco óbvia pelo título). Além disso esse é (pelo que me lembro) o único poema com uma característica que sempre utilizava nas redações da escola, começar e terminar com palavras que tenham o mesmo radical. Enfim, chega de prosa.... vamos ao poema.


Vogais (ou: O amor que a tudo supera tem realmente que ser o amor)


Empalidecida, taciturna, nua e rubra
é tua e minha, a lua, cuja sina na caminhada noturna
cria a agonia que não pia e nem mia,
agonia incessante, montante crepitante, sê permanente fonte
nesse front que em frente segue sempre,
nem que diferente lente use,vê.
Sempre ri, percebi, não observei, quando me distraí,
se em si sorri , pedi e nem liguei se agradeci
ou dei, não pensei e tapei o que vi,
distraí e ainda distraio com um copo de vinho ou mesmo
com um tecido de linho, que quando ao sopro do vento
cobre o corpo todo, não deixando um só ponto descoberto, carrasco,
pois o corpo nu, meu e seu se uniu, teceu e se perdeu,
tocou mas não escutou, nem sentiu, esqueceu que viu,
ninguém lembrou, pois concentrou pouco, ou não olhou,
e por isso pereceu: "cotidianou",
assim como o que brilhou e brincou,
hoje empalideceu.

Mai/03

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Assuma o kamae correto

Umas das maiores dificuldades em traduzir textos estrangeiros é a necessidade de passar o conteúdo dos termos, muito mais do que a tradução literal. Porque algumas vezes as palavras em uma língua tem significados diferentes, bem como em outras vezes a utilização de uma expressão tem um fundo extremamente local e culturalmente afetado. Esse é um dos motivos, por exemplo, que a tradução do alcorão não é visto com bons olhos pelos muçulmanos.
Nas artes marciais também é fundamental termos isso em mente. Não só na transmissão das idéias que não queiramos que todos entendam (assunto que pretendo discutir aqui um dia), mas também pelas próprias palavras que formam sua linguagem técnica. Tomemos como exemplo a palavra que utilizamos para designar a "base" de alguém numa arte marcial (basicamente o modo como você estrutura o corpo), uma tradução para "Kamae". No entanto existem outras traduções, como "postura". O interessante ao traduzir "Kamae" como "postura" é que seu significado passa a ganhar outros conceitos, podendo transcender a parte física. Engloba assim toda a parte mental e atitudinal. Quando em um treino de arte marcial somos, constantemente, quer percebamos ou não, incentivados a assumir o kamae correto estamos sendo instigados a não só manter uma estrutura corporal, mas também focalizar nossos pensamentos, bem como integrar as duas coisas.
Essa integração é importantíssima e fundamental, não só em treinos de arte marcial como também no dia-a-dia. Não tem sentido perguntar pra alguém as horas ou a localização de uma rua mantendo os braços levantados como um lutador de boxe (a não ser que você queira machucar a pessoa, claro), nem entrar em uma festa e ir para cima da mesa de comida sem falar com ninguém (supondo que seu objetivo é confraternizar com os participantes). E isso não é deve ser encarado como uma mera questão de etiqueta, e sim como uma atitude que visa colocar toda o seu objetivo em dada situação, conseguindo obter um melhor resultado nela.
E toda essa análise foi feita apenas mudando uma única palavra de uma arte. Agora imagine quantas e quantas palavras utilizamos em nosso dia-a-dia e quantas palavras usamos de maneira displicente. Acho que se tratássemos de utilizar palavras mais positivas em nosso dia-a-dia teríamos consequências melhores. Tente fazer isso, unir um pensamento positivo a uma completeza em pensamento e ação. Em resumo: Assuma o kamae correto!

domingo, 11 de maio de 2008

Dia do quê?

Exceto nos anos bissextos, assumimos que um ano tem 365 dias. Em uma semana temos 7 dias. A conclusão é simples, se dividirmos os 365 do ano, por 7 (dias na semana), sempre vai "sobrar" um dia. Assim, esse dia que "sobra" vai fazer com que um certo dia do ano, que cai num certo dia da semana, caia no dia seguinte da semana, no ano seguinte. Em outras palavras, exceto na passagem de, ou para, anos bissextos, se um dia do ano cai em uma segunda, no ano seguinte cairá na terça e assim por diante.

Existem algumas consequências interessantes com isso. Alguns feriados são móveis, isto é, são baseados em dias da semana específicos, e, portanto, variam o dia do ano que são comemorados. Um desses exemplos é o dia das mães. Comemorado no segundo domingo de maio, quem fizer aniversário entre os dias 8 e 14 de maio, invariavelmente, coincidirá seu aniversário com o dia das mães.

Coincidência maior são pessoas que fazem aniversário em dias de feriados fixos. Acredito que não seja das melhores coisas. Imaginem você fazer aniversário no Natal! Exemplos famosos são: Sir Isaac Newton (Físico), Cláudio Manoel (humorista do Casseta&Planeta) e o Papa Pio VI (é...bem...não sei o que ele fez, mas ele era papa...pelo menos é o que diz seu nome). Eles até poderiam ganhar um presente a mais nos primeiros anos, mas duvido que com o passar do tempo, ou que os parentes menos próximos, lhe desse presentes pelo Natal e pelo aniversário independentemente.

PS: Se você acha que Natal e/ou aniversário não são datas pra ganhar presente peça pra ninguém te dar presentes então nos próximos 5 anos...

Sequência do trem e Sequência do deserto.

Não acredito que exista um padrão tão categórico nos filmes que não precisemos vê-los para saber como eles são. Mas existem certas repetições que são dignas de nota. Tudo bem, tudo bem, a opinião de um amigo meu sobre a ordem dos acontecimentos em filmes de comédia romântica são aplicáveis a todos que já vi (quiçá a todos que eu tenha visto ou não), a saber: Casal se conhece, começam um relacionamento, por algum motivo eles brigam, reatam, terminam bem.

Não sei se está no repertório de todos um filme chamado Atração Explosiva (Fair Game no original), com Alec Baldwin e Cindy Crawford, um filme de ação que poderia ser apenas uma tentativa de lançar a modelo Cindy Crawford como atriz, mas seu roteiro ingênuo o torna muito ruim. O mais gritante nesse filme é quando o policial Max Kirkpatrick (William Baldwin) e a advogada Kate McQueen (Cindy Crawford), numa tentativa de escapar de ex-agentes da KGB entram num trem, passado um tempo e vendo que estão seguros para sair, mas ainda sob a tensão de estarem prestes a morrer, serem torturados ou algo assim eles...transam. Simples assim: Perseguição da KGB + possibilidade de irem para local seguro + possibilidade de morrer = Sexo. É uma das sequências mais sem motivo do cinema. Fica claro que eles terminaram de fazer o filme, mas, provavelmente na primeira vista da versão final, viram que faltara uma sequência de sexo entre os protagonistas. Eles então a puseram, ad hoc e em um momento aleatório. E dessa maneira classifico cenas como essa como Sequência do trem.

Não obstante haver exemplos assim em Holywood parece que cenas desnecessárias (mas de outra natureza) são parte integrante do cinema em geral, em qualquer parte do mundo. Podemos ver isso em O Tigre e o Dragão (Wo Hu Zang Long no original), em certa parte do filme, a filha do dirigente local Jiao Long (Zhang Ziyi) revela aos espectadores, através de lembranças, que se apaixonou pelo salteador mongol Lo (Chang Chen). São vinte minutos de cenas desnecessárias. Não reclamo do ritmo da sequência, não vejo necessidade de todas as sequências serem explosivas, com lutas ou algo assim, mas simplesmente se torna cansativo um filme de 125 minutos! São mais de duas horas de filme! O filme fica imensamente melhor, quando eliminamos esses vinte minutos (eu testei...). O filme não perde a sequência natural e se torna, simplesmente, mais confortável assistir o filme. Pra mim não há a necessidade de uma sequência como aquela. Poderia apenas a jovem falar baixo: "Nunca me esquecerei de Lo", ou uma resposta à ama de Jiao Long "Ele não deixa meus pensamentos desde minha viagem pelo deserto". Enfim, qualquer coisa que fizesse o filme passar de 125 minutos para 85 minutos, com o simples fato da retirada de uma sequência de 20 minutos, que classifico como Sequência do deserto.